Novo estudo levanta discussões nos EUA sobre adoção de crianças por homossexuais

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O estudo que avalia novas estruturas familiares causou grandes debates em várias associações americanas, e muitas delas se opõem às conclusões encontradas pelo Dr. Mark Regnerus, idealizador da pesquisa do ‘Estudo da Nova Estrutura Familiar’ (NFSS).

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Discussões jurídicas e políticas sobre a adoção de crianças por homossexuais estão sendo geradas diante de pesquisas que não focam apenas na questão do casal ser ‘homo ou hétero’, mas também no bem-estar das crianças adotadas. A publicação do New Family Structure Studies (NFSS) ‘Estudo da Nova Estrutura Familiar’, nos EUA, tem levantado debates. A intenção do pesquisador, Dr. Mark Regnerus (Sociólogo da universidade do Texas), era detectar qualquer desvantagem de crianças educadas por homossexuais em relação às outras que cresceram em lares tradicionais. O sociólogo refuta a afirmação de outros levantamentos que afirmavam não haver diferenças ​​entre as crianças de famílias biológicas intactas e crianças criadas em lares de pais do mesmo sexo. Para Mark, os dados de seu estudo mostram claramente que crianças criadas por pais gays ou lésbicas estão, em média, em uma desvantagem significativa quando comparado com crianças criadas por seus pais biológicos casados ​​em famílias intactas.

O estudo também concluiu que a maioria das crianças criadas por casais homossexuais foram concebidas em lares heterossexuais que sofreram divórcio, deixando os pais solteiros, e após o divórcio iniciaram relacionamento com parceiros do mesmo sexo.

O NFSS é um projeto comparativo que procura compreender como os jovens adultos (18-39 anos), criados por pais do mesmo sexo, se posicionam e conseguem viver em uma variedade de resultados sociais, emocionais e relacionais, quando comparados com jovens adultos criados em casas com seus pais biológicos casados, ou com mãe e padrasto, ou mesmo aqueles criados em lares com dois pais adotivos. Em particular, o NFSS visa coletar novos dados, a fim de avaliar se o parentesco biológico e o gênero dos pais dos jovens adultos estão associados com resultados sociais importantes.

O Dr. Mark estudou uma grande amostra estatística aleatória da população geral dos Estados Unidos. Em quase todos os levantamentos anteriores de famílias gays, o tamanho da amostra era muito pequena para conclusões significativas. Finalmente, o NFSS entrevistou diretamente os filhos de casais de gays e lésbicas como jovens adultos (quando tinham atingido a maturidade). Muitos estudos anteriores só entrevistaram os pais dessas crianças, e não havia um estudo baseado em entrevistas com crianças e jovens adultos.

Nos EUA, várias pesquisas são realizadas com crianças adotadas por homossexuais. Especialistas explicam que tais pesquisas não são fáceis de realizar, da mesma forma que a avaliação do resultado delas e as suas estatísticas se tornam mais complexas devido às diversas estruturas familiares existentes na sociedade. Resultados prévios mostram que crianças e jovens sofrem danos psicológicos em várias dessas estruturas familiares, dependendo de uma imensa variação de situações vividas por estes jovens na infância ou adolescência.

No Havaí, na década de 90, a Academia Americana de Pediatria afirmou que é melhor para a criança ser criada em uma casa por seus pais, ou ao menos, por um homem ou uma mulher casada. Depois de oito anos, o Instituto para o Casamento e Políticas Públicas solicitou o reforço desse argumento concluindo que a estrutura familiar que mais protege o bem da criança é a família tradicional e intacta.

Tribunais da Califórnia e Iowa decidiram priorizar os argumentos relativos aos melhores interesses para a criança. Ambos desprezaram alguns posicionamentos dos oponentes ao casamento homossexual, e classificou-os como inadequados, mas considerou argumentos sobre o bem-estar da criança com seriedade. O Instituto para o Casamento defendia que “O casamento tradicional promovia um nível de bem-estar satisfatório para a criança” e que o “estado devia aceitar apenas uniões entre homem e mulher”.

O Dr. Paul Amato (Departamento de Sociologia da Universidade da Pensilvânia), defende em um artigo que, independentemente da orientação sexual, os casais são motivados igualmente a prestar o melhor atendimento para seus filhos, no entanto, os pais gays ou lésbicas e seus filhos enfrentam desafios que podem tornar a parentalidade mais difícil devido aos sentimentos anti-gays (expressa ou sutil) vivida pelas crianças por parte dos pares, professores, ou vizinhos. Os próprios pais também podem ser confrontados com os sentimentos anti -gay de vizinhos, pais de colegas de seus filhos, ou outros adultos. Segundo o Dr. Paul, isso pode trazer mal-estar para a criança e pode diminuir ou aumentar.

Amato explica ainda no artigo da ‘Elsevier’ (publicação da Social Science Research) que a pesquisa de Marks Regnerus desafia pesquisadores a desenvolver melhores dados e realizar o tipo de análises que permitem mais confiança em generalizações. “As análises da pesquisa Regnerus são provocantes, mas longe de ser conclusiva. Estes resultados muito preliminares não deve diminuir da real importância deste trabalho”, afirmou.

O artigo de Marks trouxe uma crítica à American Psychological Association (APA) que declarou como ‘inválida e enganosa’ a afirmação de que “não há nenhuma evidência para sugerir que as mulheres lésbicas ou gays são impróprios para serem pais ou que o desenvolvimento psicossocial dos filhos de mulheres lésbicas ou gays está comprometida em relação aos filhos de pais heterossexuais”. A APA fez a declaração por não acreditar que existem desvantagens em crianças criadas por pais gays.

Atualmente, também em defesa dos homossexuais para a adoção, a Academia Americana de Pediatria tem desenvolvido políticas para apoiar as famílias em toda a sua diversidade. Para eles, as crianças têm necessidades emocionais e de desenvolvimento similares se são criadas por pais do mesmo ou de diferentes sexos. "O bem-estar das crianças é muito afetado mais por suas relações com os pais, o sentido de competência e segurança com relação aos pais, bem como a presença de apoio social e econômico da família, do que pela orientação sexual de seus pais", defende a AAP.

A argumentação da AAP é que há uma extensa documentação afirmando que não existe uma relação causal entre orientação sexual dos pais e o desenvolvimento emocional das crianças. Muitos estudos atestam o desenvolvimento normal dos filhos de casais do mesmo sexo quando a criança é desejada e os pais têm um compromisso com a paternidade compartilhada, assim como suporte econômico.

Amato defendeu ainda que “em certa medida, as situações de crianças com pais gays e lésbicas são únicas, o que significa que nenhum grupo é o ideal para comparação”. Ele mostra que crianças criadas por mães lésbicas apresentaram um desvio padrão abaixo da amostra completa de crianças através dos cinco resultados centrais observados anteriormente, e que isso tem sido utilizado por grupos contrários ao casamento gay, mas não é um tamanho forte em efeito. De açodo com ele, estas diferenças são semelhantes aos achados de estudos de crianças com pais divorciados ou novamente casados.

“É provável que muitas das desvantagens relatadas por estes descendentes foram devido a rupturas conjugais que o precederam (ou coincidiram com) o momento em que seus pais saem como gay ou lésbica, em outras palavras, estas desvantagens podem ser devido aos casamentos heterossexuais fracassados ​​dos pais, em vez de as orientações sexuais deles”, comenta Amato. Segundo ele, o Estudo das Novas Estruturas Familiares é o que podemos esperar, pelo menos em um futuro próximo. “Claro, um pouco de conhecimento sobre um tópico é melhor do que nenhum conhecimento, e as primeiras pesquisas com base em amostras de conveniência desempenham um papel importante na obtenção deste campo de estudo, além de estabelecer uma agenda para o trabalho futuro”, afirmou.

O debate sobre o casamento homossexual e adoção de crianças continua, e envolve questões constitucionais, jurídicas e valores fortemente defendidos por vários grupos, contra e favoráveis às questões.  

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Por: ANAJURE l Press Officer – Angélica Brito

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