A cruz, considerada ilegal pelo Estado Islâmico, retorna para a planície de Nínive no Iraque

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[FOTO: Padre Ammar, outro padre e dois soldados perto de uma cruz recentemente erigida sobre o telhado da igreja Tahira (Igreja da Imaculada, Católica Siríaca) em Qaraqosh, uma aldeia cristã libertada pelo EI / World Watch Monitor]

Houve lágrimas, soldados orando, padres cantando. Este foi o momento em que milhares de cristãos iraquianos esperaram: a cruz, símbolo da vitória de Cristo sobre o mal, considerada ilegal pelo Estado Islâmico, voltou para as aldeias cristãs da planície de Nínive no Iraque. Isto aconteceu em meio a notícias de que mais aldeias foram recuperadas do EI, e que mais sinais de destruição tornaram-se aparentes.

Assim que a situação estava remotamente segura, os sacerdotes entraram em um carro e foram escoltados de volta para suas aldeias. Em aldeias cristãs como Karamles e Qaraqosh – meia hora de carro a leste de Mossul – eles estavam entre os primeiros não-combatentes a voltar, agora que as aldeias foram libertadas da ocupação do EI.

O padre Thabet, que vive com sua congregação em um complexo para pessoas internamente deslocadas em Arbil, levou com ele uma cruz do tamanho de um homem, coberta de flores, quando retornou à sua aldeia natal de Karamles.  

“Estou muito feliz com isso. Meu sorriso vai de orelha a orelha e choro lágrimas de alegria ao mesmo tempo. Esta é a viagem pela qual eu tenho orado por dois anos”, disse ele. Ele subiu a colina Barbara Hill, ao lado de sua aldeia, e ali plantou a cruz firmemente no chão com vistas para Karamles.

Quando chegou a Karamles, o padre Thabet soube que sua igreja tinha sido fortemente danificada pelo EI, mas que ainda estava de pé. A cruz tinha sido retirada e jogada ao chão. O interior da igreja estava uma bagunça, mas passível de ser reparado, e os receios de que a vila cristã estaria completamente inabitável provaram ser infundados.

“O que importa é que podemos orar aqui novamente”

O mesmo vale para a aldeia de Qaraqosh, visitada pelo padre Ammar. Ele restabeleceu a cruz na sua igreja, ajudado por soldados cristãos que guardam a vila depois de esta ter sido libertada.

“Eu louvo a Deus por este dia maravilhoso”, disse ele. “Sim, eles destruíram e queimaram algumas casas e igrejas, mas podemos reconstruí-las. O que importa é que temos orado aqui e que levantamos a cruz novamente. Depois de estar afastado por exatamente 811 dias, depois de ser atacado pelas forças das trevas e do mal, voltamos a cultuar em liberdade.”

Enquanto esteve em Qaraqosh, padre Ammar localizou 40 documentos antigos da história de sua igreja, intocados pelo EI.

“Eu trouxe isso de volta para o nosso povo em Erbil. Para nós, esses documentos são a nossa ligação com a nossa história e, portanto, muito importantes”, disse ele.

A luta ainda existe à noite

O EI conquistou a planície de Nínive – incluindo a segunda maior cidade do Iraque, Mossul, e muitas aldeias cristãs em torno dela – em 2014. Dezenas de milhares de famílias cristãs tiveram que fugir para salvar suas vidas. A batalha por Mossul ainda está sendo travada, mas grandes assentamentos cristãos ao redor da cidade, como Karamles e Qaraqosh, já estão liberados. À noite, no entanto, os soldados do EI ainda tentam recuperar territórios. Um fotógrafo cristão que acabou de retornar de Qaraqosh estimou que trinta por cento das casas foram gravemente danificadas ou destruídas. O resto precisa de uma “limpeza profunda”, disse ele. Ainda vai levar algum tempo até que as famílias possam retornar às suas aldeias perto de Mossul. A maioria delas irá aguardar até Mossul ser libertada e o EI ser totalmente removido antes de começar a planejar o seu regresso.

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Fonte: World Watch Monitor
Tradução: Andressa Toscano l ANAJURE

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