Coreia do Norte: no aniversário do fim da guerra coreana, a CSW chama atenção para “apavorantes violações de direitos humanos” na república democrática popular da Coreia

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Soldados norte-coreanos passam pela praça Kim Il-Sung no desfile militar do 60º aniversário do armistício da Guerra da Coreia em Pyongyang. (Foto: Ed Jones/AFP – retirada do Portal G1)


No 60º aniversário do fim da Guerra Coreana, a Christian Solidarity Worldwide (CSW) está clamando por maiores esforços da comunidade internacional acerca da grave crise de direitos humanos na Coreia do Norte.


A Guerra Coreana acabou em 27 de julho de 1953, ceifando as vidas de três milhões de Coreanos, incluindo muitos civis. No entanto, a guerra se encerrou com uma trégua, sem uma paz permanente, e a península Coreana está tecnicamente ainda em guerra entre Norte e Sul. Além disso, o povo da Coreia do Norte continua a sofrer sob o brutal regime com um dos piores relatórios de direitos humanos do mundo.

Cerca de 200 000 pessoas devem estar detidas em cinco campos de prisão política no país. O sistema de culpa por associação significa que cidadãos podem ser aprisionados por “crimes” políticos cometidos por membros da família por três gerações. As condições nos campos são terríveis: presos suportam temperaturas congelantes no inverno, trabalho pesado, e porções escassas de comida. Desertores estimam que 70% dos prisioneiros estão severamente desnutridos. Tortura, estupro e execuções públicas são comuns.

Fora dos campos, o controle estrito do governo sobre os recursos, associado às más colheitas, tempestades e enchentes, tem resultado em fome e desnutrição generalizada. Todo os anos, milhares de Norte Coreanos tentam escapar pela fronteira da China. Muitas mulheres que tentam cruzar a fronteira são vítimas de tráfico humano.  Entretanto, a China não reconhece os Norte Coreanos como refugiados e regularmente repatriam homens, mulheres e crianças para a Coreia do Norte, onde eles enfrentam o aprisionamento, tortura e morte. Em maio de 2013, nove Norte Coreanos, incluindo ao menos uma criança, foram deportados do Laos para a China e foram repatriados de lá para a Coreia do Norte (matéria também divulgada pela ANAJURE). Como parte da Convenção das Nações Unidas relacionada ao Status de Refugiados, a China é limitada pelo princípio de não-devolução. Repatriando forçadamente Norte Coreanos, a China está em violação de seus compromissos internacionais.

Desde 2007, a CSW tem clamado por uma investigação internacional na situação de direitos humanos na Coreia. Em 2011, a CSW ajudou a estabelecer a Coalizão Internacional por um Término dos Crimes contra a Humanidade na Coreia do Norte, juntamente com mais de 40 organizações de direitos humanos em uma campanha por uma investigação, culminando na resolução adotada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2013, estabelecendo uma Comissão de Investigação “para averiguar as sistemáticas, amplas e graves violações de direitos humanos” na Coreia do Norte.

A CSW também convocou a BBC para realizar transmissões de rádio para a Coreia do Norte. No início do ano, vinte membros do Parlamento assinaram uma moção na Casa dos Comuns, encorajando a BBC a considerar esta proposta. A moção sucedeu uma específica recomendação durante um debate na Casa dos Lordes na Coreia do Norte em janeiro de 2013, apresentada pelo Lord Alton de Liverpool, Presidente do Grupo Parlamentar Partidário da Coreia do Norte. A BBC indicou interesse na ideia, e agora é só uma questão de recursos.

O líder da CSW no Leste da Ásia, Benedict Rogers, disse: “No 60º aniversário do fim da Guerra Coreana, a CSW chama atenção para as apavorantes violações aos direitos humanos cometidas todos os dias pelo regime da Coreia do Norte contra seu próprio povo, incluindo cristãos, que são particularmente alvo por sua fé. Nós pedimos ao governo da Coreia do Norte que liberte imediatamente todos os prisioneiros políticos e feche a rede de campos de prisão. Nós pedimos ao governos da Coreia do Norte em particular para acabar as violações de direito à liberdade religiosa ou crença. Convocamos a Coreia do Norte a cooperar com a Comissão de Investigação da ONU, e convidamos monitores internacionais de direitos humanos no país, com livre acesso, para conduzir a investigação. Pedimos que a ONU garanta que a Comissão de Investigação  tenha os recursos necessários para realizar o trabalho. Além disso, pedimos à China, Laos e outros países que reconheçam os desertores da Coreia do Norte como refugiados e deem a eles acesso à Alta Comissão para Refugiados das Nações Unidas. Finalmente, apoiamos a recomendação que a BBC comece um serviço de transmissão em idioma Coreano em toda a península Coreana, a fim de romper o bloqueio de informações. Sessenta anos após o fim da Guerra Coreana, é tempo de agir para acabar com a guerra do regime Norte Coreano contra o seu próprio povo”.

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FONTE: CSW
TRADUÇÃO: JORGE ALBERTO

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