Desempregado e Cristão no Egito

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Às margens de uma economia em crise, as chances de encontrar um emprego são cada vez menores, levando cristãos muitas vezes ao desalento.

 

TRABALHO EGITO

Está mais difícil do que nunca achar um emprego no Egito, onde a taxa subiu para um recorde de 13%.  Entre os jovens egípcios, a taxa de desemprego é ainda mais alta.

Para Cristãos sem emprego, encontrar um trabalho pode ser especialmente difícil. Eles são 10% de um país onde o Islamismo é a religião oficial. O partido muçulmano Muslim Brotherhood’s Freedom and Justice ocupa as mais altas posições no governo. Em caso de disputas judiciais, a nova constituição volta-se para a lei Islâmica para resolver o impasse.

Ao mesmo tempo, cresce a ocorrência de crimes entre a população. Nas ruas, crimes como sequestros para obtenção de resgate estão aumentando e igrejas são frequentemente atacadas ou incendiadas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que está negociando um empréstimo multibilionário para o Egito, em abril, colocou a situação em linguagem diplomática da seguinte forma: “Incerteza política e policial prolongada, distúrbios sociais e problemas de segurança têm diminuído a confiança. Como resultado, o crescimento real tem sido lento”. 

Junto com medidas recomendadas para implementar disciplina fiscal no próprio governo, o FMI diz que “os desafios mais imediatos são proteger os segmentos mais vulneráveis da população”. Em longo prazo, o relatório recomenda que Egito realize “reformas estruturais” que acarretem em um “ crescimento socialmente balanceado”.

Entre a população, os Cristãos egípcios usam uma linguagem mais pessoal para descrever o lugar que ocupam na economia. O World Watch Monitor falou com três cristãos do Cairo que estão procurando por emprego e seus comentários estão abaixo. Eles pediram para não ser fotografados ou completamente identificados. Eles dizem que críticas públicas ao que acreditam ser um sistema favorecedor de Muçulmanos, iriam somente contribuir diminuir mais ainda suas chances de obter um emprego.

 

Veja os depoimentos que mostram o grau de exclusão e desesperança da população Cristã no Egito:

 

Nome: Não fornecido.

Idade: 37 anos.

Qualificações: Bacharelado em Agricultura pela Universidade do Cairo, em 1998. Terminou o serviço militar em 2000.

Dados pessoais: Casado. Tem um filho.

Depoimento: Estava difícil encontrar emprego mesmo antes do levante popular em 2011 que forçou o Presidente Hosni Mubarak a deixar o cargo, disse ele.

Em 2005, viajei para o Kuwait porque eu não conseguia achar um emprego em meu país. Eu estava trabalhando como vendedor em uma ótica lá. Assim, eu poderia economizar algum dinheiro do meu trabalho. Eu voltei ao Egito em 2009 para me casar em dezembro de 2009. Depois do casamento, eu tentei achar um emprego aqui, mas não consigo.”

Assim como as pessoas à procura de emprego no mundo, ele se volta para os avisos de “procura-se”.

“Eu leio os anúncios diários de emprego nos jornais Egípcios à procura de um emprego no meu campo. Candidatei-me a muitos empregos no governo, mas não consegui nenhum.”

“Por exemplo, um dia eu li um anúncio de emprego que dizia ‘Seleção de Emprego’ relacionado à minha área de atuação em um jornal. O Ministério da Agricultura estava procurando engenheiros agrícolas, e eu possuía  todas as qualificações necessárias, como idade e formação. Eu  realmente tinha qualificação para essa vaga.”

“Então eu fui imediatamente ao Ministério da Agricultura, preenchi um formulário de candidatura a vaga e apresentei a cópia de todos os meus documentos – qualificação, certidão de nascimento, serviço militar e carteira de identidade.”

“Eles pediram a todos os candidatos que viessem depois de um mês para conferir o resultado da seleção da vaga. Depois de um mês eu fui ao Ministério e olhei o papel com os nomes, que estava afixado na parede do prédio, mas não encontrei o meu nome na lista. Todos os nomes eram nomes muçulmanos. Não havia nenhum nome cristão entre eles.”

“A situação aqui se tornou pior do que estava após a revolução, especialmente nos dias de hoje sob o controle da Muslim Brotherhood (Irmandade Muçulmana).”

Para se sustentar, ele tem viajado ao Kuwait ocasionalmente. “vou trabalhar lá, dessa forma eu posso juntar algum dinheiro para mandar para a minha família. Mas na verdade, eu espero encontrar algum emprego aqui, para ficar com a minha família e tomar conta deles.”

É muito difícil encontrar algum emprego aqui,” disse ele, “porque a economia egípcia tem piorado muito, e muitos perderam os seus empregos”. Ele confidenciou ter perdido as esperanças de conseguir um emprego em seu país.

Nome: Mina

Idade:34

Qualificação: Bacharelado em Ciências Contábeis pela Ain Shams University, Cairo, 2001. Como o único filho do sexo masculino em sua família, ele não precisou prestar o serviço militar.

Dados pessoais: Solteiro.

Desde de que se formou há 12 anos, Mina vive com seus pais, pois, por mais que se esforçasse, não foi capaz de conseguir trabalho.

“Eu me candidatei a muitos empregos como contador em bancos e entidades governamentais, mas não consegui por ser cristão e não ter condições de pagar para conseguir um emprego.”

“Conheço uma pessoa que pagou uma propina de 60,000 libras Egípcias (cerca de oito mil e quinhentos dólares) para conseguir um emprego de contador no Ministério do Petróleo. E outro que pagou uma propina de 50,000 libras Egípcias para conseguir um emprego em um banco (operado pelo governo). O governo aqui é corrupto.”

“Então uma grande quantidade de cristãos enfrenta dificuldades para encontrar emprego aqui, especialmente após a revolução,” disse Mina, “porque o governo é Muçulmano e a perseguição a Cristãos aumentou sob o controle do Muslim Brotherhood.”

Mina disse que ele e seus pais vivem da pensão de seu pai. “Eu gostaria de casar e ter uma família,” disse ele. “Mas casamento exige muito dinheiro e eu não trabalho, então é difícil me casar agora.”

Assim como milhares de outros egípcios, independente de religião, Mina diz que vê pouco  futuro em sua terra natal.

“Meu sonho é imigrar para a América ou Austrália”, concluiu. 

Nome: Não fornecido

Idade: 45

Qualificações: Bacharelado pela Ain Shams University, Cairo, 1990. Completou o serviço militar em 1991.

Dados pessoais: Casado. Tem 3 filhos.

“Eu não consigo nenhum emprego (na área que se graduou) desde que me formei até agora. Eu tinha esperança de trabalhar no Ministério de Antiguidades. Eu me candidatei a mais seleções de emprego no Ministério das Antiguidades dentro da minha área de estudo, mas não consegui nenhuma vaga.”

Ele disse que o motivo está claro do porquê de ele não ser contratado. “Quando eu me candidato a qualquer emprego e eles sabem que sou cristão, me recusam.”

Ele parou de se candidatar a vagas de emprego. “Não há esperança de arranjar algum emprego agora” disse ele. Ao invés de achar um emprego que se adeque às suas qualificações, ele sustenta a sua família gerenciando uma pequena mercearia.

 

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FONTE: World Watch Monitor
TRADUÇÃO: ANAJURE

 

 

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