Fugindo da perseguição religiosa, refugiado encontra paz no interior de Goiás

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Publicado originalmente no Portal Fato Online.

 

Pai de quatro filhos, Masih não pode revelar a origem nem o nome completo. Cristão, alvo de radicais do Islã, foi salvo da morte por uma ONG do Reino Unido e por uma ação do Itamaraty que pode virar programa para ajudar outros na mesma situação.

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ANÁPOLIS (GO) – A 160 km de Brasília, no município goiano de Anápolis, vive desde fevereiro deste ano uma família de cristãos que fugiu de uma região dominada por facções radicais do Islã, na Ásia Central. Pai, mãe e quatro filhos perseguidos religiosamente por não professarem a fé no Alcorão encontraram paz no Brasil por meio de uma investida diplomática que pode transformar Anápolis em centro de refugiados. 

O chefe da família em questão, Masih, de 36 anos, aceitou conversar com exclusividade com o Fato Online, sob a condição de não ter a identidade completa nem mesmo o país de origem revelados. “Não tenho medo. Estou seguro aqui. Mas penso nos parentes que ficaram por lá”, justifica ele, com um inglês carregado de sotaque. 

Desde que Masih e a família deixaram a cidade onde viviam, no Oriente Médio, 10 vilas foram incendiadas, com cristãos sendo queimados vivos. “Sabe quando trancam um passarinho em uma gaiola e depois o soltam? Estou me sentindo assim: como um pássaro livre. A sensação de liberdade é enorme”, comenta ele, emocionado.

O drama da família de Masih começou em 2009, quando ele, evangélico em uma região predominantemente islâmica, pregou um cartaz de um evento da igreja em um muro considerado público. Foi o suficiente para o início de uma ferrenha perseguição.

O simples fato de divulgar um evento cristão transformou Masih, a mulher e os filhos em inimigos do Islã. Julgado com base na chamada Lei da Blasfêmia, Masih foi condenado a enforcamento em praça pública. Antes disso, conseguiu fugir com a família para um país vizinho, onde se esconderam das autoridades entre 2011 e 2014.

No período em que viveram na clandestinidade, Masih passou seis meses preso por ser flagrado como imigrante ilegal. Mulher e filhos não o visitaram porque tinham medo de também acabarem sendo detidos.

Alívio

O alívio surgiu no fim do ano passado, quando a Christian Solidarity Worldwide, uma ONG cristã do Reino Unido, soube da história de Masih e entrou em contato com a Anajure (Associação Nacional de Juristas Evangélicos). O Itamaraty aliou-se à causa e, há quatro meses, Masih e a família conseguiram desembarcar no Brasil como refugiados por perseguição religiosa. “Se eu continuasse lá, já estaria morto.”

A população de Anápolis se mobilizou em torno do caso e, em apenas um mês, preparou uma casa toda mobiliada para eles morarem. Os filhos – de 7, 10, 13 e 15 anos – conseguiram bolsas de estudo. Masih está prestes a começar a trabalhar na Universidade Evangélica, cuja sede fica na cidade. “A maior conquista é poder sair de casa sem medo”, resume. A filha de 13 anos disse ao Fato Online que pretende estudar Direito para ajudar pessoas que, iguais a ela, são perseguidas pela religião.

A costura diplomática deu tão certo que o Itamaraty está encarando o caso de Masih como projeto-piloto para ampliar a presença de refugiados em Anápolis. A direção da Associação Educativa Evangélica já foi sondada sobre a possibilidade de acolher mais famílias, inclusive fugitivos das guerras na Síria e no Iraque.

A população de Anápolis se mobilizou em torno do caso e, em apenas um mês, preparou uma casa toda mobiliada para eles morarem. Os filhos – de 7, 10, 13 e 15 anos – conseguiram bolsas de estudo. Masih está prestes a começar a trabalhar na Universidade Evangélica, cuja sede fica na cidade. “A maior conquista é poder sair de casa sem medo”, resume. A filha de 13 anos disse ao Fato Online que pretende estudar Direito para ajudar pessoas que, iguais a ela, são perseguidas pela religião.

A costura diplomática deu tão certo que o Itamaraty está encarando o caso de Masih como projeto-piloto para ampliar a presença de refugiados em Anápolis. A direção da Associação Educativa Evangélica já foi sondada sobre a possibilidade de acolher mais famílias, inclusive fugitivos das guerras na Síria e no Iraque.

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