Jihadistas poderiam extinguir o Cristianismo na Síria, se lhes fosse dado poder, diz freira

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Hovic_Monastries_like_this_one_in_Maaloula_have_been_part_of_the_fabric_of_Syria_for_centuriesMosteiros em Maaloula 

Uma freira católica que vive na Síria negou as sugestões de que ela acredita que a derrubada do presidente Bashar al-Assad traria um fim ao Cristianismo na Síria. Em vez disso, Madre Agnes-Mariam diz que esse fim seria a consequência se extremistas religiosos aproveitassem um vácuo de poder deixado pela sua deposição.

A freira de origem Libanesa, que é madre superiora do mosteiro de St. James, o Mutilado – o mais antigo mosteiro na área de Qalamoun, na Síria – faz parte do Movimento de Solidariedade Síria e terminou recentemente uma turnê de palestras nos EUA.

Agora no Reino Unido, Madre Agnes-Mariam disse à BBC que apoiar Assad não é seu objetivo, mas sim, trazer a paz para a Síria, e encontrar uma alternativa viável para o atual governo, antes de quaisquer tentativas serem feitas para derrubar o ditador sitiado. 

“Não se trata de Assad, é sobre a população Síria e o destino de um país inteiro. Se você tem um tumor, você não mata o paciente, você tem que contornar o problema para ser capaz de dar a boa resposta, e agora a boa resposta é um processo pacífico. Vai ser o fim do mundo civilizado de hoje na Síria, onde a alternativa são os jihadistas fundamentalistas e extremistas, que estão jogando a violência e terror por toda parte."

Madre Agnes-Mariam negou que estava trabalhando para o presidente Assad, dizendo que as sugestões de que estava eram "privadas de qualquer raiz na realidade", e que estariam apenas tentando minar e desacreditar um "trabalho honesto e justo" de ajuda aos Sírios.

Ela também agradeceu ao governo Britânico e as pessoas que votaram contra a intervenção militar na Síria, dizendo que isso "abriu uma porta larga para a paz".

No entanto, a freira reconheceu que o maior desafio para a Síria foi a falta de uma oposição confiável.

"O grande problema é que estamos a falar em derrubar um governo enquanto não temos uma alternativa. É bom olhar para a população da Síria e ver quem está representando efetivamente a base da população Síria".

Madre Agnes-Mariam também reforçou sua crença controversa de que os vídeos supostamente mostrando ataques de armas químicas em Damasco no dia 21 de agosto foram fabricados.

"Tenho certeza 100 por cento", disse ela. "Eu tenho novas evidências através da observação e metadados."

Madre Agnes-Mariam negou as acusações de que, a fim de orquestrar a evacuação de milhares de famílias de Damasco, ela tinha concordado em entregar mais de 600 pessoas para as forças do governo.

"[A acusação] é falsa, é falsa. Temos trabalhado com as famílias, e elas nos pediram pela evacuação. Arrisquei minha vida para falar com o conselho militar; houve uma batalha dentro, nós estávamos a ponto de sermos mortos, depois de sequestrados. Finalmente, um líder rebelde nos protegeu, porque queria que sua família fosse para fora, e assim nós poderíamos evacuar 7.000 famílias. Ninguém foi preso, pelo contrário, foram tratados da melhor maneira".

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FONTE: WORLD WATCH MONITOR
TRADUÇÃO: FELIPE AUGUSTO

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