Milhares de mortos em explosão de violência na República Centro-Africana

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A República Centro-Africana foi devastada pela guerra civil e conflitos inter-religiosos ocorridos entre os anos de 2012 e 2014.

Depois de um período de calmaria, a violência retornou à República Centro-Africana, devastada pela guerra civil e conflitos inter-religiosos entre os anos de 2012 e 2014. Ataques realizados por diversos muçulmanos do disperso grupo Seleka deixaram diversos mortos em Bangui e em outras regiões do país nas últimas semanas.

Muito embora a coalizão Seleka tenha sido dissolvida há três anos, os dois principais grupos militares ainda estão ligados ao Seleka e às forças de autodefesa que se levantaram contra eles; conhecidos como os “”anti-Balaka” ou “anti-machete”, um grupo formado por animistas e cristãos nominais.

No dia 04 de outubro a situação piorou em Bangui com a morte de um oficial do exército no bairro PK5, o enclave islâmico da capital. O Col. Marcel Mobeka, um auxiliar da ex-presidente Catherine Samba-Panza, foi gravemente ferido quando um homem abriu fogo contra o seu carro. Mais de 20 pessoas foram assassinadas em um tiroteio entre o exércitos e as tropas de milícias naquela mesma área no dia seguinte.

“E da mesma forma que na política nada acontece por acaso, nós não sabemos o que a noite e os próximos dias reservam para nós. As pessoas que viviam na mesma região da cidade que eu, fugiram”, disse o líder da igreja.

A violência na capital continua na parte sul, perto à fronteira do país, local onde dezenas de pessoas foram massacradas na cidade de Kouango, de predominância cristã.

De acordo com as fontes contatadas pela WWM, mais de 85 pessoas perderam as suas vidas, enquanto 152 foram feridas. Cenas de horror relatadas como indescritíveis além de igrejas e propriedades reduzidas às cinzas foram algumas razões que forçaram os moradores a atravessarem o rio Oubangui em direção à República Democrática do Congo.  

No último mês, milhares foram mortos pelos membros do Seleka em comunidades na região de Kaga Bandoro, a 350 km ao norte de Bangui.

Ademais, membros do Seleka invadiram Ndomete, a cerca de 10 quilômetros de Kaga Bandoro. Eles bateram de porta em porta e mataram 5 pessoas, incluindo um padre católico, cuja igreja eles saquearam, juntamente com as outras casas. De acordo com moradores, tudo isso aconteceu sob a vigilância de tropas paquistanesas da ONU no país.

Novas informações têm surgido e revelado o tamanho real tamanho da escala de violência. Um contato da WWM que estava em Kaga Bandoro para participar de um seminário relatou que alguns ex-Seleka invadiram a igreja enquanto ocorria o evento e feriu os pastores participantes que estavam no local.

Enquanto os Seleka invadiam a igreja onde ocorria o seminário, outros se dirigiram até a caso do pastor e o violentaram, ao mesmo tempo em que os 15 pastores eram ameçados. Os Seleka ordenaram a todos que deitassem no chão, sob ameaça de morte. Os pastores foram feridos antes de terem seus dinheiros e bens roubados.

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Firmain Feidang, de 29 anos. Assassinado mesmo após ter obedecido o comando dado por três Seleka para deixar a estrada, enquanto passava pelo escritório da ONU. Mesmo assim, Feidang foi morto. Membro da Igreja batista Eglise CEBI, ele deixou uma esposa e três filhos.

Uma frágil estabilidade

Dentre outros possíveis fatores, a violência ocorrida no mês de setembro adveio do ataque dos membros do grupo “anti-Balaka” contra uma facção dos rebeldes Seleka.

“Os Seleka consideram Kaga Bandoro a capital de sua própria república no nordeste do país, a República de Logone, e se se acham no direito de matar todos os não muçulmanos que lá se encontram”.

Um líder da igreja na República Centro-Africana contou ao World Watch Monitor que esta revolta demonstrou a fragilidade da situação e a real necessidade de se buscar a desmobilização e o desarmamento das milícias, atuantes no norte e nordeste do país.

Yonas Dembele, analista da Unidade de Pesquisa da Missão Portas Abertas, uma organização de auxílio a cristãos perseguidos por sua fé em todo o mundo, destacou: “Após a realização das eleições de março, esperávamos uma estabilidade. Este último massacre é a maior e mais notória indicação da retomada da violência sectária que tem colocado muçulmanos e cristãos uns contra os outros”.

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Fonte: World Watch Monitor
Tradução: Natammy Bonissoni l ANAJURE

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