"Não que haja algo de errado com isso": o que é – ou não – homofóbico

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Na coluna “Breakpoint”, Eric Metaxas analisa como o conceito de homofobia está mudando nos últimos tempos e  permeando toda a sociedade norte-americana.

 

MetaxasPor Eric Metaxas

 

Em um episódio clássico do seriado Seinfeld, intitulado “The Outing”, um estudante de jornalismo está convencido de que Jerry e George Costanza são gays. Eles negam veementemente serem homossexuais, acrescentando porém "que não há nada de errado com isso. "

A frase quase que imediatamente tornou-se parte da forma como os americanos lidam com a questão.

O episódio de Seinfeld me veio à mente ao ler recentemente sobre a polêmica referente a Roy Hibbert, do Indiana Pacers da National Basketball Association – NBA, liga nacional de basquete dos EUA. Durante uma coletiva de imprensa, Hibbert usou palavrões e comentou sobre ser “esmagado” na quadra de basquete. E então ele usou a expressão em inglês "no homo" (em tradução livre, “não homo”).

Se você não estiver familiarizado com essa frase, você não está sozinho. É uma expressão da música rap afirmando que "quem fala isso não tem qualquer intenção homossexual".

Se isso soa como Wikipedia, é porque é mesmo. Eu não sabia o que significava, e suspeito fortemente que 99% das pessoastambém não. Isso não impediu que a notícia do "insulto gay" de Hibbert se tornasse a maior história do noticiário esportivo do fim de semana.

A NBA multou Hibbert em US$ 75.000, dizendo que era necessário demonstrar que "tais comentários ofensivos não serão tolerados”. Acredito que isso que sai cerca de US$ 25.000 por sílaba.

Eu não irei defender Hibbert. Seus palavrões sozinhos já justificam uma multa, e fora seu comentário "no homo", eu duvido que alguém tenha entendido algo de sexual no que ele disse.

Mas não posso deixar de notar que o que constitui um "insulto gay" é variável. LeBron James usou a mesma frase há alguns anos e ninguém se importou.

Novamente, eu não estou defendendo ninguém – eu estou simplesmente observando o quão rápido as definições de "homofobia" e "intolerância" estão mudando.

Veja a questão do casamento homossexual. Algumas semanas atrás, Michael Kinsley, do New Republic, comentando furiosamente sobre a oposição do Dr. Ben Carson ao casamento homossexual, com razão, observou que Carson "tem pontos de vista sobre os direitos dos homossexuais pouco mais progressistas do que a média dos senadores democratas tinham há 10 anos".

Na verdade, a posição de Carson é aproximadamente a mesma do presidente Obama há apenas dois anos! Contudo, a opinião de Carson é considerada inaceitável em muitos círculos de hoje.

Tudo isso me fez imaginar se um episódio de Seinfeld, como "The Outing" poderia até mesmo ser produzido hoje. A frase "não que haja algo de errado com isso" foi um clássico, pois capturou a ambivalência do público sobre o tema da homossexualidade: ao mesmo tempo em que as pessoas queriam demonstrar ser "tolerantes" e "mente aberta", elas certamente não queriam que os outros pensassem que elas próprias estavam envolvidas em relações homossexuais.

Alguns comentaristas estão exibindo a mesma ambivalência em reação ao novo filme da HBO Liberace. Eles confessam que foi adiado, devido ao conteúdo homossexual – o tempo todo se sentindo culpados por esse adiamento.

Mesmo se tal ambivalência não seja taxada como "homofobia", será em breve. A mera sugestão de que pode haver algo de errado com os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo será considerada "homofobia".

Então, por que trazer isso no “BreakPoint”? Bem, como cristãos, não podemos ser ofuscados pela velocidade com a qual a cultura está contestando visões tradicionais de sexualidade. Nem devemos ser intimidados pela hostilidade que enfrentaremos por nossas crenças.

Pode ser que a cultura se torne irreparável – que visões tradicionais não sejam toleradas.  Ou talvez não. Mas uma coisa é certa, temos que, pela graça de Deus, fazer valer o Seu plano para a sexualidade humana: o casamento entre um homem e uma mulher, uma vez, para alegria mútua do casal e a procriação de filhos.

Só então seremos capazes de preservar – ou talvez criar uma nova – uma cultura de vida, bondade, saúde e beleza.

E não há nada de errado com isso.

 

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Fonte: Religion Today
Tradução: ANAJURE

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