Pastor iraniano tem apelação negada e é sentenciado a um ano extra de prisão mais 74 chicotadas

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Um pastor iraniano, que cumpre pena de seis anos de reclusão, teve seu pedido de apelação negado contra sentença adicional de 74 chicotadas e acréscimo de mais um ano na cadeia pela suposta posse, em sua cela, de dois litros de álcool. Essa foi a mais recente notícia sobre Farshid Fathi, reportada em 24 de maio.

O Middle East Concern (MEC) relata que o álcool foi encontrado na enfermaria da prisão de Fathi em abril de 2014 durante uma incursão de guardas quando ele estava na Prisão de Evin. O MEC diz que os agentes de segurança atribuíram o álcool à Farshid, que, por sua vez, nega veementemente esta alegação.

Casos como estes são geralmente tratados em um tribunal judicial, mas o caso de Fathi foi submetido ao Tribunal Revolucionário. Fathi, que está preso desde 2010, negou a acusação quando compareceu perante o tribunal em dezembro de 2014, após ter sido transferido para a prisão de Rajaei-Shahr em agosto de 2014.

A apelação de seu advogado não conseguiu reformar a sentença adicional de dezembro. Cerca de 60 outros cristãos, muitos pertencentes às igrejas domésticas em Teerã e outras cidades, foram presos na mesma época que Fathi, no dia seguinte ao dia de Natal em 2010. A maioria destes já foi libertada.

O governador de Teerã, Morteza Tamadon, em 4 de janeiro de 2011, chamou os cristãos detidos de “extremistas” que “penetram no corpo do Islã para corromper e desviar”. Ele acrescentou que eles estavam tentando estabelecer “uma forma extrema de Cristianismo como o Taliban e os wahhabitas no Islã”. 

Fathi, que tem 35 anos e é pai de dois filhos, foi preso sem julgamento na prisão de Evin. Após 15 meses de incerteza, ele foi julgado em janeiro de 2012, sendo acusado de “ação contra segurança do regime, por estar em contato com organizações estrangeiras, e propaganda religiosa” de acordo com uma fonte. Os detalhes de seu julgamento não foram publicados.

O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, fez um discurso em outubro de 2010 no qual afirmou que as igrejas domésticas precisavam ser tratadas. Uma nova onda de vigilância e detenções contra cristãos surgiu, e logo após, líderes das igrejas domésticas, tais como Farshid Fathi, foram especialmente escolhidos para detenções mais longas. Nascido em uma família muçulmana, Fathi tornou-se cristão aos 17 anos e no momento de sua prisão, em 2010, estava trabalhando em tempo integral como pastor e líder das igrejas de casa em casa. 

Fathi está cumprindo sua pena ao lado de outro homem, Alireza Seyyadian, que também foi sentenciado a seis anos de reclusão. Seyyadian foi preso enquanto estava tentando sair do país com o pretexto de gozar o recesso do ano novo persa em março 2012, e foi também transferido com Fathi para a prisão Rajaei-Shahr.

Seyyadian é um membro de um grupo conhecido como Igreja do Iran, que está fundamentada em uma teologia não-trinitariana. Ele foi condenado a 90 chicotadas e seis anos de prisão por agir contra a segurança nacional por meio de conspiração, ajuntamento e propaganda contra o regime islâmico.

O World Watch Monitor informou sobre como estrangeiros do Reino Unido e do escritório da Commomwealth já haviam taxado como “severa” as condições da prisão de Fathi.

Espancados

Ele sofreu uma fratura no pé e no dedo após ter sido espancado por oficiais da segurança durante a incursão na qual o álcool foi encontrado e atribuído a ele.

Estima-se, com base em evidencias fornecidas pelo Centro Americano de Lei e Justiça, Campanha Artigo 18 e Middle East Concern, que em maio de 2015, cerca de 90 pessoas foram detidas em prisões iranianas devido a sua fé e prática cristãs. 

Vários relatórios especiais das Nações Unidas e Resoluções têm condenado a violação do direito das minorias religiosas. Autoridades penitenciárias tem por vezes discriminado detentos cristãos.

Na prisão de Rajaei-Shahr, por exemplo, foi negada permissão aos prisioneiros cristãos para participar das celebrações de Natal.

Outros prisioneiros também tiveram que enfrentar sentenças adicionais. Ebrahim Firouzi estava para ser libertado em 13 de janeiro, mas foi mantido em cárcere e julgado outra vez em 8 de março sob acusação de “agir contra a segurança nacional, ajuntamento e conspiração”.

De acordo com a lista da World Watch de 2015, pela Open Doors International, uma instituição de caridade que dá suporte aos cristãos que enfrentam hostilidades por conta de sua fé, o Iran ocupa o sétimo lugar (dois pontos a mais que no último ano) no ranking dos dez países onde os cristãos são perseguidos.  

A força motriz de perseguição no Iran, afirma, é o “extremismo islâmico”; cristãos de origem islâmica são especialmente perseguidos. Aumenta o número de igrejas Farsi (persa) que tem sido forçadas a fecharem; algumas das quais tem estado ali por décadas e séculos. Este é um fenômeno que não tinha sido visto na história da igreja no Iran, afirma a World Watch List.

“Expectativas eram altas quando o Presidente Rouhani tomou posse em 2013. Contudo, seus poderes são limitados e a curto prazo, mudanças concretas não são vislumbradas pelas minorias religiosas”, diz Open Doors.

O Mohabat News relata que até os muçulmanos sunitas não podem usufruir de um mínimo de liberdade. Assim como os cristãos e outras minorias religiosas, não é permitido aos sunitas construir uma mesquita para eles em Teerã, a capital.

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FONTE: World Watch Monitor 


TRADUÇÃO: Jamile Baltar l ANAJURE

 

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