Prisão de pastor aumenta preocupações dos cristãos na República Centro-Africana

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A já frágil situação para os Cristãos na República Centro-Africana (RCA) pode estar piorando.

Michel_DjotodiaA ordem de prisão do Rev. Nicolas Guerékoyamé parece ter vindo direto do topo. Presidente Michel Djotodia, na foto, tomou o poder em um golpe de Estado em março.


No dia 6 de agosto, o líder das igrejas evangélicas do país, Rev. Nicolas Guerékoyamé, foi preso por comentários sobre o governo. Ele foi liberado poucas horas depois.

A imprensa local informou que Guerékoyamé, presidente da Aliança Evangélica da RCA, foi questionado sobre as declarações durante um sermão em Bangui, a capital, em 4 de agosto.

Seus comentários foram supostamente considerados "excessivos e extremistas … Um golpe na dignidade do Chefe de Estado e nas Instituições da Transição".

No entanto, fontes locais, que permanecem anônimas por razões de segurança, disseram que a prisão foi vinculada à publicação de um artigo no qual ele deduziu que os cidadãos da RCA estão sendo tratados como escravos.

Na edição de julho do Le Démocrate, o pastor chamou a RCA de "outra ilha de Gorée", uma ilha ao largo da costa do Senegal, que era um ponto de conexão durante o comércio de escravos do século 19.

O pastor acrescentou que ele culpou o atual governo por contínua propagação de roubo, estupro e assassinato, apesar de um pedido recente de líderes religiosos e garantias do presidente de que a segurança e a estabilidade estavam melhorando.

Guerékoyamé é membro do Conselho Nacional de Transição (CNT), um parlamento de fato criado na sequência do golpe militar de março, no qual grupo Séléka derrubou o regime de François Bozizé. A imprensa local disse que a imunidade do Guerékoyamé como um membro do CNT não tinha sido respeitada.

Nossa fonte local entende que a ordem de prisão do pastor veio do presidente em exercício Michel Djotodia, cujos motivos para derrubar o governo anterior foram questionados antes.

Em maio, o World Watch Monitor revelou que Djotodia declarou em uma carta seu desejo de transformar a República Centro-Africano em uma república islâmica.

Na carta, Djotodia apresentou-se como o defensor da causa dos Muçulmanos no Chade e na República Centro Africana, afirmando que os dois países "não têm nenhum respeito por nós" e pediu o apoio de seus "irmãos" [muçulmanos].

Um grupo de bispos, em resposta, escreveu a Djotodia, levantando preocupações sobre o seu passado e pedindo-lhe para falar contra o sofrimento infligido por seus guerrilheiros Séléka. "Por que você não deve condenar [membros do Seleka]? Até quando você ficará em silêncio?", escreveram eles.

Em junho, líderes Cristãos e Muçulmanos juntos condenaram a violência contínua promulgada pelo Séléka. O Bispo de Bangassou, Juan José Aguirre Munos, disse que sem ação, o país estava "provavelmente a explodir".

No mês passado, a organização internacional de saúde Médicos sem Fronteiras disse que o mundo tinha abandonado a República Centro-Africana na sua hora de necessidade.

A Federação Internacional para Direitos Humanos informou na época que Séléka tinha sido acusado de assassinar mais de 400 pessoas desde que chegou ao poder.

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FONTE: WORLD WATCH MONITOR
TRADUÇÃO: TÉRCYO DUTRA

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