EGITO – Segurança egípcia é acionada após o último ataque aos cristãos coptas

EGITO
 

Casas pertencentes à famílias coptas da aldeia de Al-Kharsah Saft, na província de Beni Suef, alto Egito, foram destruídas por uma multidão em 22 de julho, em meio a rumores de que um andar da casa de um homem foi transformado em uma igreja. A violência começou quando uma multidão se reuniu depois das orações do meio-dia e começou a arremessar pedras e projéteis nas casas. Em um breve vídeo filmado a partir da varanda de um dos edifícios, crianças assustadas assistem como a multidão se aproximou. O filme continua com sons de vidros quebrando e de objetos que batem nos edifícios.

A área depois foi cercada visando proteger as famílias coptas locais. Em uma reunião de reconciliação, anciãos da aldeia concordaram que os cristãos da comunidade não usariam suas casas como igreja, a menos que tivessem recebido autorização oficial. A lei atual no Egito afirma que nenhuma igreja pode ser construída sem decreto presidencial.

Em 21 de julho, o presidente egípcio Abdel Fattah el-el-Sisi condenou a recente onda de violência contra a comunidade copta. Em um discurso transmitido pela televisão nacional, ele falou da unidade no país e igualdade perante a lei, acrescentando que qualquer pessoa que viole a lei será responsabilizada, mesmo o Presidente. Dezoito pessoas foram detidas em seguida, por estarem ligadas à violência.

Enquanto ataques sectários não são incomuns em algumas partes do Alto Egito, tem havido um aumento na frequência de tais ataques nos últimos meses, muitas vezes provocada por rumores de igrejas sendo construídas ou ligações afetivas entre muçulmanos e cristãos. Em maio, uma mulher idosa foi despida e agredida na rua, por conta de rumores de que seu filho estava em um relacionamento com uma mulher muçulmana, em um caso que atraiu a condenação generalizada.

Respondendo ao recente aumento nos incidentes sectários, o papa Tawadros II, chefe da Igreja Copta Ortodoxa disse: “Eu mesmo sou paciente e posso suportar o conflito, mas tenho na minha frente um relatório sobre a violência sectária contra os coptas desde 2013, detalhando 37 casos somente em Mynia, o que equivale a um incidente a cada mês… Grupos de muçulmanos queimam casas de cristãos, pensando que lá são igrejas. Este não é um crime social, mas um ataque deliberado”.

Mervyn Thomas, diretor executivo da Christian solidariedade Worldwide (CSW) disse, “o vídeo do ataque em Saft al-Kharsah é uma ilustração austera e perturbadora da violência sectária inaceitável suportada por aldeões coptas no alto Egito, o que vem ocorrendo cada vez mais frequentemente. Continuamos a clamar para que os perpetradores de violência enfrentem um processo penal, uma vez que às sessões de reconciliação não tiveram êxito para travar a frequência destes ataques. A declaração do Presidente Sisi é bem-vinda, mas deve ser seguida por medidas práticas para fornecer proteção robusta e eficaz para a comunidade copta. Isto, juntamente com uma ação preventiva por parte das forças de segurança locais. Essa é a única maneira de quebrar um ciclo de violência e impunidade que é exacerbado pela imposição de reuniões de reconciliação que ignoram o processo judicial e acabam não trazendo nenhuma consequência para os perpetradores. Também instamos a Câmara dos Representantes para emitir uma lei que regulamenta a construção e reforma de casas de culto de uma forma que garanta o direito dos cristãos de culto em comunidade com os outros, como uma questão de máxima urgência”.

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Fonte: CSW
Tradução: Rafael Durand l ANAJURE
 

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