ARGENTINA – Pastor batista continua recebendo intimidações e ameaças. ANAJURE acompanha o caso

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IMG_10981O pastor argentino Marcelo Nieva continua a enfrentar intimidação e ameaças, apesar da presença da força militar nacional (Gendarmerie Nacional) fora do edifício da igreja dele. Isto ocorre dezoito meses após ele e seu colega, Daniel Carreño, terem sido alvejados quando estavam dirigindo próximo da cidade de Córdoba. A ANAJURE tem apresentado o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e já solicitou audiência para discutir esta situação.

Este segundo ataque ocorreu em 24 de abril, quando Nieva dirigia-se à igreja com sua esposa, que está grávida do segundo filho. “O carro estava nos seguindo atentamente, tentando bater no nosso veículo e nos fazer parar. A situação era muito agressiva, então eu acelerei. A perseguição durou cerca de 30 quadras. Foi como estar em uma cena de perseguição em um filme.”

“Em um ponto, o motorista do outro carro parou em uma esquina e tentou tirar algo de seu porta-luvas. Eu estava preocupado, pois poderia ser que um tiro nos atingisse, então, para proteger a minha família, eu dirigi a toda a velocidade para a porta da igreja, onde a polícia nacional está vigiando 24 horas por dia. Eles interceptaram esse homem que estava no carro rapidamente. Neutralizaram a situação e ele foi preso. Graças a Deus que desta vez não sofremos quaisquer ferimentos e nossas vidas foram protegidas”.

Nieva relatou o incidente à polícia local, que prendeu o homem, mas líder religioso afirma que esta é a “primeira vez” que a polícia em Río Tercero tem agido em favor da Igreja e “só porque a Gendarmerie Nacional estava lá, então eles tinham a obrigação”.

No dia seguinte, o abrigo de mulheres, que a Igreja disponibiliza para a morada das mulheres vulneráveis, incluindo ex-dependentes químicas e prostitutas, foi atacado. Pedras foram atiradas no prédio. Nieva diz que as mulheres “não se atreviam a ir para fora”.

Ambos os incidentes foram relatados para o escritório da polícia federal, que está atualmente a avaliar dois processos judiciais envolvendo Nieva e sua Igreja Batista, embora ambos estejam parados nos últimos meses. A primeira refere-se ao atentado contra sua vida em Outubro de 2014. O segundo é um apelo por justiça, relativo à suas alegações de que sua igreja tem sofrido quatro anos de perseguição religiosa nas mãos das autoridades locais.

Depois de meses sem progresso, a igreja ainda está à espera de uma data para a próxima audiência. O assistente de Nieva, Carolina Villarroel, disse ao advogado do World Watch Monitor the church’s (órgão que presta assistência às igrejas) que está se preparando para apresentar uma queixa oficial contra o juiz federal por alegada obstrução da justiça.

275_2061Nieva disse ao World Watch Monitor em 2014 que a sua igreja tinha sido denunciada por políticos, polícia e jornais locais como uma “seita controversa”, após a introdução no estado de Córdoba da Lei da Argentina 9891, que afirma existir para “alcançar a detecção precoce e prevenção de qualquer situação de manipulação psicológica, e prestar assistência às vítimas de manipulação”. No entanto, Nieva disse que a lei tem sido abusada e aplicada às organizações religiosas legítimas, como sua igreja, que é reconhecido pelo Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina.

Como resultado das denúncias contra Nieva e sua igreja, ele disse que o “ódio” cresceu contra eles na comunidade local e que a polícia atacou regularmente a igreja, quebrando janelas e saqueando a propriedade. Nieva acrescentou que a lei, atualmente aplicada na região de Córdoba, poderia ter um impacto negativo significativo sobre o resto do país se for aplicado em outros lugares. “A lei é uma ameaça para toda liberdade cristã na Argentina”

Processos judiciais

Em maio do ano passado, um Tribunal de Apelações na cidade de Villa María, 100 milhas ao sul de Córdoba, decidiu-se a favor de Nieva e sua igreja, ditando que seu caso deve ser ouvido em um tribunal federal.

“Um juiz federal queria retirar nosso caso dos tribunais federais,” afirmou Carolina Villarroel. “Isso seria um grande revés.”

O Tribunal determinou que a Igreja iria receber a proteção 24 horas, 7 dias por semana, por tempo indeterminado, dos guardas da Gendarmaria Nacional. “Nosso caso representa um grande problema para a província porque foi a polícia que invadiu a nossa igreja, repetidamente atacou os membros da nossa congregação e falham ao executar seu dever como funcionários”, disse Villarroel.

O tribunal de apelações também remeteu o processo ao Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e Racismo da Argentina. ‘Ataque à liberdade de culto’

O fato de o governo ter empregado a Gendarmeria Nacional para proteger a Igreja “mostra a gravidade do caso e é um grande avanço para os evangélicos em todas as Igrejas na Argentina. Este caso sem precedentes tem potencial para beneficiar todos os evangélicos na Argentina, depois do Tribunal de Apelações Federal ter reconhecido a perseguição sistemática e discriminação contra membros da nossa igreja e instado as autoridades judiciais relevantes para agir o mais rápido possível. O fato de que estamos ainda sob a proteção da Gendarmaria mostra como complicado e profundo é este caso, e demonstra a escala da batalha feroz que tem sido travada há vários anos. Queremos que todos os cidadãos da Argentina possam ser capazes de manifestar e professar livremente sua religião, como diz na Constituição.”

No entanto, Villarroel destaca que os membros da igreja ainda estão assustados. “A Gendarmerie só protege o edifício da igreja e os paroquianos quando eles visitam. Mas os membros da igreja ainda vivem com medo de ataques, que estão acontecendo constantemente, seja por civis ou policiais, bem como o constante assédio da justiça local. Estamos preocupados com esta falta de tutela jurisdicional adequada porque a custódia da Igreja sozinha não é suficiente para cessar os atos de discriminação, assédio, perseguição e ódio religioso.”

De acordo com o advogado da igreja, Zeverin Escribano, “a perseguição do Pueblo Grande (nome da igreja) é devido aos esforços da igreja em lutar contra o tráfico de drogas, tráfico de pessoas.” Ele disse ainda que ele nunca conheceu tal “ataque à liberdade de culto” em seus 37 anos de trabalho e chamou o que está ocorrendo de “um grande revés na Argentina, um país que se orgulha de ser ‘tolerante'”.

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Fonte: World Watch Monitor
Tradução: Rafael Durand l ANAJURE

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