Igrejas são queimadas no Níger em demonstração anti-Charlie Hebdo

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Niger-France-Protests-GAL21G524.1Manifestação em Niamey, capital do Níger, que destruiu vários prédios cristãos – AP

 

Pelo menos 45 igrejas do Níger foram saqueadas e queimadas neste fim de semana, em ataques feitos por centenas de islamistas em protesto aos desenhos publicados pela revista francesa Hebdo.

Em um dos ataques, de acordo com fontes locais, centenas de pessoas marcharam violentamente por volta das 1:30 da tarde, logo depois da Sexta das Orações, e gritavam “Alla Akbar” (Alá é grande), ateando fogo em uma das maiores igrejas no sudeste do Zinder, cerca de 1000 km de Niamey, capital Níger. O protesto resultou em saques de muitas propriedades e lojas pertencentes aos membros da comunidades cristãs em diversas partes da cidade.

Muitos prédios públicos e propriedades também foram incendiadas, entre eles o Centro Cultural Francês. As forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo em uma tentativa de manter a ordem. “Nós nunca vimos isso antes em Zinder”, relatou uma fonte local. “É a Sexta-Feira Negra”, ele lamentou.

O Presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, participou no dia 11 de janeiro da marcha anti-terror em Paris, mas mesmo assim o governo condenou a última ilustração Charlie Hebdo, que retrata um choro do profeta Mohammad, e proibiu a publicação da revista satírica no Níger.

O Níger é um país laico conhecido por uma relação pacífica entre as comunidades religiosas. A grande maioria dos seus 17 milhões de habitantes são muçulmanos. No entanto, o país tem testemunhado o surgimento de grupos radicais islâmicos desde o advento do pluralismo democrático na década de 1990, e a minoria cristã é frequentemente alvo de islamitas.

Em setembro de 2012, três igrejas foram saqueadas na mesma cidade de Zinder, na sequência de uma demonstração sobre o filme dos EUA "A Inocência dos muçulmanos". As três igrejas danificadas são a principal catedral católica e duas igrejas evangélicas.

Ataques semelhantes visando propriedades cristãs ocorreram no sul da cidade de Maradi, perto da fronteira com a Nigéria, em 1998 e 2000.

Localizado no oeste da África, o Níger está enfrentando uma crescente ameaça islâmica pelo grupo nigeriano radical Boko Haram no sul, e outros grupos ligados à Al Qaeda, como AQIM e Mujão, que são ativos no vizinho Níger ocidental, Mali, e vizinho do norte, Líbia.

Em uma entrevista recente, Issoufou disser ser necessária a intervenção militar internacional na Líbia para tentar restaurar a estabilidade e evitar um masacre maior em toda a região.

Mais de 500 soldados do Níger estão no norte do Mali sob a bandeira de uma missão de paz da ONU.

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FONTE: World Watch Monitor e G1
TRADUÇÃO: Fernando Souza l ANAJURE

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