Pastor Enéas Tognini – “Os planos da ANAJURE têm grande importância. Fiquem firmes na Palavra e não pendam nem para a esquerda nem para a direita.”

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Um dos líderes evangélicos históricos mais importantes do Brasil se torna membro do Conselho Consultivo Referencial da ANAJURE.

 
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99 anos de vida, 71 de ministério. A vida do pastor Enéas Tognini foi dedicada integralmente ao Evangelho, nos muitos cargos, funções e atividades exercidas no seio da Igreja evangélica brasileira, especialmente, no meio pentecostal histórico.

Um dos maiores avivalistas do Brasil, ele foi um dos principais responsáveis pelo chamado movimento de renovação espiritual em nosso País “depois de um encontro impactante e transformador com o Espírito Santo”, relata ele.

Um dos idealizadores e fundadores da Convenção Batista Nacional, presidente emérito da Sociedade Bíblica do Brasil, seu nome faz parte do Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini, uma das escolas de formação de pastores mais conhecidas do País.

Em suas muitas viagens e missões pelo Brasil afora, levou às igrejas históricas do evangelicalismo brasileiro a mensagem teológica da contemporaneidade dos dons espirituais. Foram muitas as reuniões de avivamento dirigidas pelo Pr. Enéas, que marcaram decisivamente a vida e a trajetória da igreja evangélica brasileira.

Neste sentido, em 1963, convocou um dia de oração e jejum nacionais contra o que ele e muitos evangélicos daquele momento consideravam como a ameaça comunista no Brasil. “Deus respondeu a nossa oração, e a onda de comunismo não veio. Foi a revolução sem sangue, a oração e o jejum”, explicou Tognini.

Seu ministério itinerante só foi interrompido aos 66 anos, quando fundou a Igreja Batista do Povo, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. É autor ainda de 48 livros, número que continua crescendo, pois ainda hoje ele trabalha em mais alguns volumes.

Uma das lideranças mais atuantes em nossa nação, Enéas Tognini se uniu aos quadros da ANAJURE e hoje integra o Conselho Consultivo Referencial da entidade como membro emérito.

O pastor Enéas nos recebeu em sua casa no bairro de Perdizes na capital paulista, onde falou sobre a criação e missão da ANAJURE e da atual situação socioeconômica e política brasileira.

 
Acompanhe a entrevista exclusiva com essa liderança inspiradora, que entregou sua vida totalmente a serviço do Senhor e da Sua igreja no Brasil:

 

ANAJURE: Em 1963, o senhor convocou um dia nacional de jejum e oração contra a ameaça comunista. Como foi na ocasião e quais seriam os motivos atuais para um clamor popular?

Pr. Enéas Tognini: Em 1963, eu fui chamado por um oficial do Exército para uma entrevista. Expliquei que iríamos preparar um dia de jejum e oração para todos os evangélicos, com o objetivo de evitar o golpe comunista que já estava preparado para acontecer no Brasil. Soube-se que na época, em Paris, foi apreendida uma cópia desse plano. Deus respondeu a nossa oração, e a onda de comunismo não veio. Agora, o que os militares fizeram depois nos 20 anos que estiveram no poder, nós não temos nada a ver com isso. Eu atuo na área ministerial, não respondo pelo plano político. Foi a revolução sem sangue, a oração e o jejum.

A: Qual sua opinião sobre esses temas da reforma do Código Penal e outros que são objeto de debate atualmente:

A: Ampliação da hipótese de aborto: 

ET: Eu sou contra o aborto, por que o aborto é um assassinato, um assassinato prematuro. A Bíblia diz “não matarás”. Então ninguém pode alterar o que está na Constituição e o que está na Bíblia. Não importa, aconteça o que acontecer, portanto o aborto é um assassinato.

A: Descriminalização do porte de drogas:

ET: As drogas constituem uma causa de tudo de mal que acontece na sociedade, então o governo deveria conter o avanço das drogas nas fronteiras, pois esse é um ponto muito importante. Esses crimes, suicídios, essa devastação que está acontecendo no Brasil é resultado das drogas. Até as crianças são colocadas nesses crimes. Sou contra as drogas por que elas acabam em morte e assassinato. Essa devastação que estamos vendo no Brasil, principalmente entre os jovens, é uma coisa clamorosa.

A: Redução da idade penal: 

ET: Eu acho que a idade penal deveria ser diminuída. Os grandes assaltos e crimes que acompanhamos pela imprensa são praticados por crianças. Os grandes traficantes e assassinos estão nessa idade. Quando cumprem alguma pena, é só durante um tempo e depois estão livres. Em outros países, como os EUA, crianças já são condenadas à prisão perpétua aos 8 anos de idade.

A: União homossexual:

ET: Baseado na Bíblia, eu sou contra o homossexualismo. O que acontece é que isso acaba minando as bases da família. Dizem que há projeto em andamento para destruir a família, e baseado na Bíblia, sou contra qualquer movimento que venha atentar contra a família. No caso de adoção por homossexuais, que autoridade eles têm para criar essa criança? Nenhuma. A consequência é que essa criança criada por pessoas do mesmo sexo vivendo ilícitamente refletirá esse comportamento.

A: Liberdade de expressão:

ET: O que a Bíblia diz é que, nos últimos dias, temos teremos tempos difíceis. Mas os evangélicos devem se levantar contra isso. Qualquer coisa que venha a proibir a livre divulgação do Evangelho, somos contra. Podemos nos levantar individualmente, formando grupos e orando, pois a oração tem poder para vencer qualquer dificuldade. Quando o povo começa a orar, as coisas começam a melhorar. Essa questão da proibição de pregar o Evangelho é uma onda do diabo, não pode ser do céu. A Bíblia dá liberdade, somos iluminados pela Bíblia.

A: Abuso sexual de menores:

ET: A atitude deve começar no lar, deve haver um movimento intensivo. A escola dominical deve progredir, a literatura evangélica e sadia deve se expandir pelo Brasil. Todo grande mal tem uma origem. Os pais devem assumir sua responsabilidade na educação dos filhos conforme a Bíblia manda.

A: O sr. agora é membro emérito do Conselho Consultivo da Associação Nacional de Juristas Evangélicos – ANAJURE. Ao seu ver, qual  a importância da criação dessa entidade na luta contra esses problemas no Brasil?

ET: Creio que a ANAJURE deve tomar uma direção bíblica em sua atuação. Então, aplicando esses princípios estaremos liquidando esse movimento irracional que estamos assistindo. Pela graça de Deus, estamos vendo os evangélicos crescendo no Brasil, principalmente os neopentecostais. Alguns são escandalosos, pedem dinheiro, coisa e tal. Mas tem muita coisa que eles estão realizando que são coisas básicas. Temos que enfrentar. A ANAJURE pode aglutinar esses grupos e lançar um grande movimento. Mas não deve pender nem para a direita nem para a esquerda, e sim para o centro. Temos que fazer uma coisa muito sensata, sempre apoiados nos princípios da Bíblia. Com isso não erraremos, teremos nos princípios bíblicos a base segura.

A: Do auge dos seus 100 anos de vida e tantos anos de ministério que conselhos o senhor deixaria para os juristas evangélicos do nosso país que ocupam posições importantes e que agora se unem na ANAJURE em prol da Igreja e em defesa das Liberdades Civis Fundamentais?

ET: Tenho 71 anos de ministério. Creio que tudo depende de oração. Se esse movimento for baseado na oração e aplicados os princípios da Bíblia, terá êxito. Sempre temos que ter em vista o lar e família, pilares fundamentais cristãos. Os planos da ANAJURE têm grande importância. Esses advogados devem ficar firmes na Palavra, não pender nem para a esquerda nem para a direita. Se entrar na política, volta para a esquerda, porque esta tendência está no poder. A ANAJURE tem que se levantar e implantar o padrão bíblico. No demais, Deus vai abençoar.

 
Por Jussara Teixeira – Assessora de Imprensa da ANAJURE

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