BUTÃO – Um lugar feliz, mas não para minorias religiosas

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A visita dos jovens reais do Reino Unido, o duque e a duquesa de Cambridge ("Will e Kate"), ao Butão, uma pequena nação do Himalaia, ganhou destaque. O local é mais conhecido por seu próprio rei avaliar o desempenho do seu país por fatores que contribuem para a "Felicidade Nacional bruta".

Mas apesar deste aparente esforço da nação budista para garantir a felicidade dos seus cidadãos, as minorias do Butão – incluindo cerca de 20.000 cristãos (2,8% da população) – se queixam de que a felicidade não alcança todas as partes da sociedade.

A religião oficial do Butão é o budismo, e outras religiões são apenas toleradas. Tal fato torna a vida de cristãos difícil.

Edifícios de igrejas são ilegais e cidadãos não-budistas não têm acesso aos mesmos benefícios que os budistas, a exemplo da educação gratuita. Proselitismo e o incentivo à conversão também são ilegais e butaneses que se convertem ao cristianismo podem perder a sua cidadania.

Segundo a Constituição, o budismo não é apenas cultural, mas também a herança espiritual do Butão. Embora normalmente não haja pressão oficial para participação da população nos festivais budistas, ou mesmo para que se viva de acordo com os costumes tradicionais, espera-se que as pessoas os sigam. Isto significa que todos os desvios são vistos com suspeita, e isso inclui os dos cristãos.

O país é o número 38 na Open Doors’ 2016 World Watch List, uma classificação anual dos países onde a vida como cristão é mais difícil.

Convertidos ao cristianismo suportam ameaças e pressões de chefes de aldeia e clérigos para voltar ao budismo. Eles podem orar e adorar em particular em suas casas, mas eles lutam para reunir-se em congregações e também para obter permissão oficial para fazê-lo. Alguns cristãos têm relatado ter perdido seus empregos após seus empregadores descobrirem que eles eram cristãos.

Os cristãos enfrentam problemas de emprego, são vítimas de discriminação e não têm muitas alternativas. Eles muitas vezes têm de viver em circunstâncias econômicas e sociais bem difíceis.

Aproximadamente 66 a 75% da população pratica diferentes formas de Budismo. A parte restante da população, principalmente de origem nepalesa, pratica o hinduísmo.

Até 1965, o Butão permaneceu fechado ao cristianismo, bem como a todas as outras influências externas. Desde então, a Igreja tem experimentado um crescimento contínuo, particularmente no sul e em grandes cidades.

Mais do que “felicidade”

De acordo com a Gross National Happiness Index Report of 2010, há 33 indicadores que medem a felicidade das pessoas. Entre eles estão "espiritualidade", "valores" e "participação socio-cultural", bem como "Driglam Namzha", ou "o caminho da harmonia". Em cada um desses aspectos, apenas a religião principal, o Budismo, é mencionado; "Driglam Namzha" no relatório é traduzido como "o comportamento esperado". Consequentemente, o nível de felicidade é medido apenas de acordo com as regras do budismo, deixando para a minoria cristã pouco espaço de variação.

Outra consequência é que a liberdade de religião não é colocada entre os indicadores para "liberdades políticas", embora esteja garantida na Constituição.

As minorias são capazes de se eleger e votar nas eleições, mas suas vozes não são ouvidas.

Um exemplo

Em setembro de 2014, dois pastores foram condenados a vários anos de prisão por "captação de recursos para obter ganhos pessoais" – embora o dinheiro que levantaram era apenas parte do que em outros lugares seria considerado reservas regulares da igreja.

Eles foram detidos sob a acusação de realizarem um encontro para fins religiosos sem a aprovação prévia, mostrando um filme sem certificado de aprovação das autoridades de mídia e para a colheita de fundos ilegais.

Acusações de proselitismo foram retiradas quando, depois de questionarem intensamente os 30 cristãos que participaram da reunião de três dias, a polícia disse que não encontrou nenhuma prova de que os dois homens tinham forçado as pessoas a se converterem ao cristianismo.

Um dos pastores, Mon Thapa, foi libertado depois de alguns dias, após pagar uma multa ao tribunal do equivalente a US $1.630. O segundo pastor, Tandin Wangyal, teve que esperar até janeiro de 2015 para ser liberto, quando sua condenação foi reduzida e ele pagou o equivalente a US $1.523 de fiança.

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Fonte: World Watch Monitor
Tradução: Aléxia Duarte l ANAJURE

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