SÍRIA – "Não há palavras para descrever o sofrimento", diz Arcebispo que atua em Aleppo, pedindo solução urgente para o fim da guerra e que os sírios não abandonem o país

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Aleppo tem visto bombardeio extenso. Áreas cristãs têm sido alvos frequentes.
 

Em meio a um cenário de extrema violência desde que o conflito sírio começou há cerca de cinco anos, mais da metade da população da cidade de Aleppo fugiu da região, afirmou Jean-Clement Jeanbart, Arcebispo católico, durante uma visita recente ao Canadá, incitando o Ocidente a se esforçar mais para achar uma solução política para o conflito. Para Jean, acolher refugiados não seria a solução mais viável. Na opinião dele, o Canadá tem que ajudar os refugiados a ficar na Síria, auxiliando o fim da guerra e achando a paz.

Falando acerca de um ataque a uma área cristã ocorrida no mês de fevereiro, ele disse: “Foi terrível. Uma bomba que os rebeldes lançaram deliberadamente em uma vizinhança cristã destruiu tudo… Eram inúmeras casas”. Na ocasião, um garoto de 13 anos, Fouad Banna, morreu na hora. Os pais do adolescente não conseguiram ir ao funeral do filho, que foi liderado pelo próprio arcebispo, pois estavam sob cuidados intensos.

Ainda sim, o arcebispo diz acreditar “doer” mais o Ocidente continuar aceitando os refugiados. Quando questionado sobre o Canadá aceitar 25.000 refugiados sírios nos últimos meses, ele disse: “Não estamos felizes quando vemos o governo canadense movendo refugiados e facilitando sua integração. Nos dói muito”. Ele prefere que sírios, especialmente cristãos, permaneçam em suas terras.

No final de abril, doze pessoas foram mortas em conflitos entre forças do governo e rebeldes. O chefe humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) disse em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da entidade que centenas de civis foram assassinados ou feridos em ataques indiscriminados nos últimos 10 anos, fato que ele denominou como “carnificina de Aleppo”.

Um homem cristão na cidade disse que o dia 26 de abril foi sangrento em Aleppo. Muitas granadas cobriram um lado da cidade e dezenas de pessoas ficaram feridas. 17 foram mortos.

Depois de uma certa calmaria, a situação ficou mais dramática nos últimos dias. Uma maternidade que fica localizada numa área sob controle do governo foi atacada por fogo rebelde, matando pelo menos três pessoas. Isso aconteceu dias depois de outro hospital ter sido atacado no leste de Aleppo, tomado pelos rebeldes.

O Bispo Antoine Audo, da igreja de Chaldean, em Aleppo, relatou recentemente nestes cinco anos de perseguição e conflito, a população cristã na Síria se reduziu em dois terços, de 1.5 milhões para apenas 500.000 atualmente. A presença cristã na cidade não é mais como antes.

O bispo Audo disse que a situação em Aleppo é até pior do que no resto da Síria, com somente um quarto da população cristã permanecendo desde o começo da guerra civil na Síria em 2011. Audo também apontou que as três Catedrais de Aleppo foram quase que completamente destruídas.


Você gostaria de saber como Maria se sentiu quando ela estava carregando o corpo de seu filho Jesus?

“Você gostaria de saber como Maria se sentiu quando ela estava carregando o corpo de seu filho morto? Você pode perguntar a uma mãe de Aleppo”, disse uma mãe local. “Você gostaria de saber como Jesus se sentiu ao carregar sua cruz no momento de sua morte? Pergunte às crianças. Elas estão carregando suas cruzes e estão esperando sua morte. Mas nos recusamos a ver mais morte na Síria – Aleppo especialmente – e estamos declarando a ressurreição de Cristo em nosso amado país”.

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Fonte: World Watch Monitor
Tradução: Camilly Regueira l ANAJURE

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