“Nós queremos permanecer no Iraque, mas não podemos mais viver assim”, diz iraquiana que foge dos extremistas islâmicos pela terceira vez

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Tendas na parte dos fundos de uma igreja em Erbil. Na foto estão algumas das 216 famílias deslocadas que fugiram da violência dos combatentes do IS. 

 

Quando o grupo Islamic State (IS) [ou Estado Islâmico (EI)] sitiou Mosul no dia 10 de Junho, a parte mais devastada resutante de sua tomada tornou-se alvo de todos os grupos mulçumanos não-sunitas. Isto resultou em muitas mortes e em várias pessoas sendo forçadas a se “converterem” ao islamismo.

Desde entao, o IS tem se movido fortemente do norte de Mosul em direção a planície de Nínive, uma área predominantemente cristã. No total, mais de 100 mil famílias tiveram que deixar suas aldeias e cidades de Qarasqosh, Mosul e na planície de Nínive.

Como mihares de pessoas que estão desabirgadas, os abrigos temporários no Curdistão estão superlotados. Para agravar a situação, os recursos são escassos e as necidades são muitas.

Ao mesmo tempo, relatos informam que  atos de violência e crueldades estão sendo executados sob o comando do IS. Devido aos extremos perigos e riscos à populaçao local, esses relatos são na maioria das vezes impossíveis de serem verificados.


Três cristãos assírios morrem de fome:

A Agência Assíria Internacional de Notícias (AAIN) relatou que os corpos de George David e o filho dele foram encontrados recentemente na casa deles, situada em Bashiqa, uma vila mulçumana. A cidade é historicamente um local de habitantes cristãos em Nínive, mas atualmente está ocupada pelo IS.

Um vizinho de Georfe percebeu um cheiro diferente e resolveu entrar na casa, e ao fazer isso os encontrou mortos. Depois disto, os corpos foram enterrados numa igreja. De acordo com a AAIN, pai e fillho eram surdos-mudos, por conta disto nao perceberam quando o IS ivadiu a cidade, e assim não conseguiram deixá-la.

Um outro corpo também foi em encontrado em Bashiqa, dessa vez de alguém com 70 anos, provavelmente um cristão assírio. O corpo foi encontrado sentado em uma cadeira dentro de casa.

AAIN acredita que as 3 pessoas morreram de fome.
 

IS sequestra criança de três anos:

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A AAIN relata que uma garotinha assíria de 3 anos, chamada Christina Khader Ebada, foi raptada de sua família quando eles estavam tentando deixar Qaraqosh.

No dia 25 de Agosto, a AAIN disse que a menina foi tomada de sua família em um posto de controle. O IS havia escoltado a família da menina juntamente com outros moradores para o tal posto de controle onde eles foram obrigados a deixar Qaraqosh  e nunca mais voltar.

A mãe de Christina ficou desesperada quando um homem a separou da criança.

Os Ebadas são uma de muitas famílias que decidiram não deixar Qaraqosh quando as forças curdas se retiraram e o controle foi tomado pelo IS. 

Antes da ocupação pelo IS, Qaraqosh era a maior cidade cristã no Iraque, desde o dia 7 de Agosto, mais de 50 mil cristãos estão deixando-a.


Outros acontecimentos em Qaraqosh:

Ontem, 1 de Setembro, a AAIN informou que Najib, 75 anos, e sua esposa Dalal, 72, eram muito idosos e estavam bastante doentes para deixar Qaraqosh quando o IS chegou no dia 7 de Agosto, mas no final do mês, eles foram forçados a deixar a cidade por homens armados pertencentes ao IS.

No dia 19 de Agosto, o IS deteu dezenas de cristãos que ainda viviam no distrito de Hamadinya, de acordo com o Mid-East Christian News. Eles telefonaram para seus parentes dizendo que haviam sido detidos na rua Paul’s house por causa dos cultos realizados em igrejas. A comunicação não foi retomada até o momento desta publicação.


Famílias iraquianas estão continuamente fugindo:

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Uma mãe, com a idade de 30 anos, relata aos trabalhores da ajuda humanitária que essa é a terceira vez que ela e sua família fogem de islâmicos extremistas nos últimos 8 anos. Primeiro eles foram ameaçados por islâmios quando viviam em Bagdá, em 2006 eles receberam a seguinte ameaça: “Vocês são cristãos. Se permanecerem, nós iremos matá-los”. Então a família fugiu, mas o carro deles foi seguido pelo grupo que empurrou o veículo para fora da ponte. Dois de seus parentes morreram e ela quase não sobreviveu ao acidente, tendo ferimentos graves na cabeça e feridas profundas no pescoço. Seus dois filhos sofreram ferimentos leves mas um deles ficou extremamente traumatizado, de forma que não conseguia andar nem falar por três dias.

Depois do incidente, a família se mudou para Qaraqosh vivendo em paz até Junho, quando eles souberam que os combatentes do IS estavam se aproximando de sua cidade. A família foge novamente não querendo enfrentar um outro ataque. Depois de três dias em Erbil, eles retornaram porque eles receberam informações de que era seguro.

Semanas depois, no dia 8 de Agosto, eles fugiram mais uma vez após notícias de que os rebeldes estavam se aproximando de Qaraqosh. Dessa vez, eles tinham menos de 3 horas para deixar a cidade antes que os rebeldes chegassem. Eles fugiram apenas com a roupa que estavam vestindo.

A mãe disse: “Se permanecermos, isso vai acontecer uma outra vez. Primeiro, eu queria ficar no Iraque que é a nossa casa, nós amamos esse lugar, mas isso é demais. Nós não podemos viver mais assim.”

A sogra dela acrescentou: “Deus enxugará todas as lágrimas e nos recompensará por tudo o que perdemos, seremos recompensados no céu. Está será nossa esperança e fé!“.


Toda esperança de voltar pra casa é sempre perdida:

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Deslocados iraquianos dormem no pátio de uma igreja em Erbil

Em outra parte do Iraque, membros do IS forçaram uma mulher cristá assíria e sua máe de 70 anos a deixarem sua casa pela segunda vez no dia 20 de Agosto.

De acordo com a AAIN, as mulheres primeiramente fugiram de Mosul no dia 19 de Julho, mas recentemente decidiram retornar porque os acampamentos para pessoas desabrigadas estavam superlotados.

Elas votaram para casa em Mosul no dia 16 de Agosto na tentativa de recuperar alguns de seus pertences que haviam deixado com uma família mulçumana. Ao voltarem, descobriram que essa família havia fugido para Kirkuk, pois era impossível viver sob o controle do IS.

A filha disse que ela tomava cuidado ao sair de casa para fazer compras, usando véu para manter a descrição. No entanto, apenas 4 dias depois de sua volta, por volta das 18:00 horas, três dos membros do IS entrou na casa dela dizendo que elas deveriam se converter ao Islã ou iriam morrer.

Depois de recusarem a conversão ao Islã, elas foram levadas ao governo numa mesquita que fica em Nova Mosul, onde foram orientadas a deixar Mosul imediatamente "porque não há lugar para infiéis na planície de Nínive”, disse um dos integrantes do IS.

Era quase meia noite e as muheres pediram para permancer na cidade até o amanhecer do dia seguinte. O pedido foi aceito mas elas foram impedidas de retornar para casa, visto que a residência havia sido confiscada pelo IS. 

Após retornarem para o acampamento em Dohuk, a filha disse que não tem nenhum desejo ou esperança de um dia retornar para Mosul.


Minorias deslocadas – Imóveis protegidos:

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No dia 22 de Agosto, o Ministério de Justíça Iraquiano anunciou que todas as vendas de imóveis que se encontram sob controle do IS são nulas e sem reconhecimento legal.

O Ministério emitiu o decreto com o objetivo de proteger as minorias, em particular os cristãos e os Yezidis; eles terão seus imóveis protegidos contra “transações executadas” pelo IS.

Em uma entrevista para Alsumaria News, o porta-voz do Ministério Haidar al-Saadi disse: "O minístro da Justiça, Hassan al-Shammari, tem dirigido todos os departamentos de imóveis para fechar registros (de imóveis) e não transferir as propriedades em áreas que se enquadram sob o controle de grupos terroristas.”

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FONTE: World Watch Monitor
TRADUÇÃO: Fernando Santos l ANAJURE

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