Pastor turco é preso sob falsas alegações de tráfico humano

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Pastor diz que conspiração deliberada eclodiu para descreditar sua igreja

Turquia

Um pastor Protestante Turco preso este mês pela polícia na província do Mar Negro de Samsun é acusado de envolvimento em prostituição e tráfico humano de refugiados.

O pastor Orhan Picaklar, 42 anos, da Igreja Ágape, foi convocado à sede da policia local para interrogatório na tarde de 11 de novembro. Ele foi detido até 13/11 em uma investigação policial conduzida pelo Departamento Moral da Divisão de Ordem Pública. O processo criminal teria sido baseado em uma queixa por telefone vinda de uma pessoa não identificada.

“É obviamente uma trama deliberada,” um porta-voz da Aliança de Igrejas Protestantes na Turquia contou ao World Watch Monitor, dizendo que Picaklar tem sido assediado por anos pela mídia local, e autoridades da cidade que são abertamente opostos à existência da igreja.

Enquanto estava na prisão com outros sete indivíduos, Picaklar soube que todos haviam sido apontados como suspeitos na mesma "operação de tráfico humano". “Eu nunca havia visto qualquer um deles e nenhum deles me conhecia também!” disse o pastor. Mas a imprensa Turca foi rápida em divulgar a prisão dele nos dois dias em que esteve detido, antes de ser finalmente levado a depor perante o promotor no dia 13.

No dia 12, o Diário Nacional Milliyet citou a alegada declaração de uma mulher Iraniana de 19 anos cujo visto na Turquia havia expirado. A jovem mulher alegava que Picaklar havia proposto um relacionamento sexual com ela, em troca dos pagamentos de aluguel que ela não poderia fazer a igreja. Quando ela recusou, disse que foi morar com outra mulher, onde seu passaporte foi confiscado e ela foi forçada a se prostituir. 

Após sua soltura, o pastor confirmou que conhecia essa mulher, que havia dito ser Cristã e tinha vido para estudar em Samsun. Como ela não tinha lugar para ficar, ele havia oferecido uma estada de 25 dias nas instalações da igreja que frequentemente são emprestadas a refugiados necessitados em um curto prazo. Mas quando ele a encontrou em uma situação comprometedora com a companhia de um homem seminu cerca de 10 semanas atrás. O pastor, acompanhado por um oficial da polícia, pediu a ela que se retirasse imediatamente das instalações da igreja. “Significativamente, nós descobrimos que essa mulher e os outros aparentemente envolvidos em prostituição foram deportados sem nunca terem sido levados à sede da polícia." Disse o pastor.

O suposto “escândalo” altamente divulgado foi simplesmente outra tentativa de desacreditá-lo publicamente. O pastor concluiu: “O propósito foi unicamente criar desrespeito em relação à igreja! Nós estamos atônitos com isso. Quem são eles e por que querem lutar conosco?”. 

Picaklar contou a Agência de Notícias Ihlas na noite de sua soltura que ele não iria deixar Samsun ou parar seu ministério na igreja por causa disso.

“Hoje eu permanecerei aqui de maneira mais determinada. Eu não estou envergonhado, porque eu não fiz nada de errado. Eu estou simplesmente ajudando pessoas,” ele explica, dizendo que sua igreja estava ajudando de 500 a 1.000 refugiados.

“Durante os últimos três meses, nós tentamos ajudar centenas de famílias refugiadas que vieram a Samsun. Nós tentamos prover carvão, comida e outras, ao ponto de dar permissão para alguns ficarem temporariamente em nossas instalações de alojamento da igreja".

“Eu não estou chocado por essa constrangedora calúnia,” disse Picaklar, já que apenas uma semana antes a policia o havia informado que tinha apanhado um homem planejando matá-lo.

Apesar de liberado da custódia, Picaklar foi ordenado pelo juiz a se apresentar na sede da polícia toda segunda-feira até que uma acusação formal seja apresentada e os processos judiciais comecem.

Picaklar e sua congregação têm sido acusados repetidamente de “atividades missionárias ilegais" por canais de TV e jornais locais, alegando que a igreja usava de suborno e prostituição para enganar jovens e convertê-los ao Cristianismo.

O próprio prédio da igreja sofreu vandalismo, foi apedrejado em suas janelas várias vezes. O pastor continua a receber ameaças de morte por telefone e internet e foi sequestrado uma vez por homens posando como policiais à paisana. Ele tem estado sob proteção policial pelos últimos cinco anos, desde que um suspeito de planejar matá-lo foi apanhado pelas autoridades policiais.

Ex-muçulmano convertido ao Cristianismo há 21 anos, Picaklar tem pastoreado a Igreja Ágape Samsun desde 2003. À congregação foi concedido status de “associação” formal em 2005. Novas congregações Cristãs na Turquia são proibidas pela lei do governo oficia. 

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FONTE: WORLD WATCH MONITOR
TRADUÇÃO: ISABELA EMERICK

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